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Geral - 17/01/2019
Realidade do Brasil com armas de fogo facilitadas e trabalhador desassistido

Realidade do Brasil com armas de fogo facilitadas e trabalhador desassistido

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Enquanto parte da população comemora o decreto que facilita a posse de armas de fogo no Brasil, entidades classistas tentam ressuscitar o Ministério do Trabalho. Já são três ações contra a medida provisória que garante o fim da repartição que tem 88 anos de história de amparo aos trabalhadores. Na verdade, estamos diante de uma queda de braço desleal, pois as duas primeiras ações foram rejeitadas pelo ministro Dias Toffoli que, na ocasião, considerou um caso simples e assegurou que a ADI não era urgente.

A terceira tentativa veio no início da semana, quando a Confederação Nacional das Profissões Liberais (ANPL) criou uma peça jurídica contextualizando o descumprimento de preceito fundamental contra a Medida Provisória 870, que extingue o Ministério do Trabalho. Desta vez o pedido seguiu para análise do ministro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal.

São conceitos polêmicos que, segundo especialistas, trarão grandes prejuízos a sociedade, contudo, o governo segue com o plano daquilo que já havia sido arquitetado e anunciado em campanha eleitoral. Para estudiosos da área de segurança pública, haverá um crescimento no tópico de mortes violentas.

À revista Exame, Julita Lemgruber, ex-ouvidora da Polícia do Rio de Janeiro criticou o decreto considerando que “mais uma vez, é como se o governo federal se eximisse de responsabilidade pelo caos na segurança pública”, concluiu. O pesquisador César Barreira disse, em entrevista televisiva, que certamente aumentarão os casos de violência contra a mulher e os acidentes domésticos com armas de fogo.

Sobre o Ministério do Trabalho, os especialistas enxergam um dano irreparável, visto que a proposta define o remanejamento de setores que antes priorizavam a assistência e defesa do trabalhador e, a partir dessa medida provisória, os departamentos serão fatiados em diferentes pastas.

E, assim, seguimos com as divergências na política brasileira dos horrores. A pauta que deveria ser urgente não é considerada pela Justiça, em contrapartida, tramita de forma célere a reforma da Previdência, que muito depreciará a qualidade de vida dos cidadãos. Tudo isso reflete nos desacordos e acordos, promessas e descumprimentos, truques e arapucas, que são bem construídas e preparadas para as ocasiões em questão.