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Notícias - 27/03/2012

Senador Paulo Paim rebate o possível impacto financeiro gerado por reajuste

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O senador Paulo Paim (PT-RS) é autor da proposta que equipara o reajuste das aposentadorias ao aumento do salário mínimo, calculado com base na inflação e crescimento do PIB.

Aprovada pelo Senado, cabe agora à Câmara votar a matéria. Nesta semana, cerca de mil aposentados invadiram as galerias do Congresso para pressionar pela aprovação da proposta, que por uma manobra do governo, acabou não sendo votada.

Qual o impacto do reajuste das aposentadorias nas contas da previdência?

Eu conheço as contas da previdência, o reajuste é uma marreca. Alguns terroristas fazem previsões absurdas, de como vai impactar até o ano de 2050. Mas a Lei só vale por três anos, e depois tem que ser votada de novo. Se o crescimento do PIB for zero, como prevêem os analistas, o reajuste vai ficar em 5% para o próximo ano. Isso vai dar, pelas minhas contas, R$ 5 bilhões a mais para a previdência. Se o governo reduzir um pouco a previsão das renúncias fiscais de 2010 a 2012, que somam R$ 63 bilhões, fica fácil dar o aumento.

Mas isso pode aumentar. Não há risco de quebra da previdência?

Acho lamentável dizer que o reajuste miserável vai quebrar a previdência brasileira. Que país é este? Para o ano que vem daria 5%. E só pega os aposentados do regime geral, que ganham até R$ 2 mil. O que queremos é fazer justiça. Todo funcionário dos Três Poderes quando se aposenta ganha o mesmo reajuste que o pessoal da ativa ganha. É a paridade. Agora, para o trabalhador comum não. Quem está pagando isso tudo é o trabalhador comum que se aposentou.

O senhor acha possível se votar o reajuste este ano?

Espero que exista um entendimento entre o governo e os aposentados, para ter uma proposta que beneficie a todos e que seja votada. Eu defendo o meu projeto, que, como disse, vai dar o mesmo reajuste do salário mínimo e não vai quebrar a previdência. Se não votar vai seguir com a mobilização, o que é até uma maldade com os idosos, que ficam tendo de viajar para Brasília.

Sem votação, a oposição tenta colar no governo a imagem de ser contra os aposentados. Como os colegas de partido estão tratando o senhor, que deu esse mote para os oposicionistas?

Todos tem me tratado com muito carinho e respeito. Dizem ‘que bom que é um senador nosso que está defendendo essa proposta, tomara que a gente construa um entendimento’.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=papo-rapido-com-senador-paulo-paim&cod_Post=238843&a=111