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Notícias - 30/03/2010
Dilma quer um “Jatene” para a Saúde

Dilma quer um “Jatene” para a Saúde

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Depois de anunciada a equipe econômica, a presidente eleita, Dilma Rousseff, se volta para as definições dos chamados ministérios políticos. A futura presidente procura destinar as peças indicadas pelos partidos aliados no tabuleiro do primeiro escalão. Interlocutores de Dilma e da equipe de transição traçam o seguinte cenário neste momento:

Saúde

A presidente eleita tem definido o perfil do ministro da Saúde que pretende nomear: “Ela procura um Jatene”, explicou um petista ligado ao governo de transição e à cúpula do PT. Médico respeitado e conhecido internacionalmente, Adib Jatene, ex-ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, passou a ser sinônimo de técnico e gestor de prestígio que, ao mesmo tempo em que impõe credibilidade à atuação da pasta, dá visibilidade ao ministério.

A busca por um nome conhecido, como Jatene, provocou a queda na cotação do ministro de Relações Institucionais, o médico Alexandre Padilha, indicado pelo PT para ocupar o Ministério da Saúde. Padilha deverá permanecer na função que ocupa atualmente, fazendo a ponte política do Planalto com o Congresso.

No sábado passado, após fazer exames de rotina no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Dilma Rousseff se reuniu com um grupo de médicos em um almoço na casa do cardiologista Roberto Kalil Filho. No grupo estavam Dráuzio Varella, Raul Cutait, Guilherme Almeida, o presidente do Instituto do Coração de São Paulo (Incor-SP), Noedir Stolf, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Gomes do Amaral e o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Ávila. No encontro, Dilma afirmou que o futuro ministro da Saúde terá um perfil técnico, segundo relato de pessoas presentes.

Abrindo vagas

No tabuleiro político, algumas indicações buscam abrir vagas na Câmara para integrantes partidários que não conseguiram número suficiente de votos e ficaram na suplência.

Nessa composição, o deputado reeleito Vicentinho (PT-SP) subiu na cotação para ocupar a Secretaria de Igualdade Racial. O nome do deputado foi levado à presidente eleita pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, dentro da estratégia petista de garantir um mandato para o deputado José Genoino, que ficou na suplência. O mesmo pode ocorrer com a deputada reeleita Maria do Rosário (RS). A possível indicação de seu nome para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres atende dupla reivindicação: da corrente interna petista a qual ela integra, o Movimento PT, e das mulheres petistas, ao mesmo tempo em que agrada ao governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ao permitir o mandato para o suplente Fernando Marroni (PT-RS). Marroni e Genro integram a mesma corrente petista: Mensagem ao partido.

Essa tática não se restringe ao PT. O deputado reeleito Mendes Ribeiro (PMDB-RS) passou a ser um dos dois nomes indicados pela bancada peemedebista na Câmara para ocupar ministérios. A nomeação de Ribeiro permitiria ao deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), que ficou na suplência nesta eleição, assumir um mandato. Mendes é cogitado para o Ministério da Agricultura. O atual ministro, Wagner Rossi, ligado ao vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), deverá ser deslocado para um cargo em empresa estatal. Outras fontes ligadas ao PMDB, no entanto, afirmam que a cúpula do partido quer a manutenção de Rossi na Agricultura.

Suplente de senador, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, também será um beneficiado desse grupo de indicações. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) é um dos nomes praticamente certos para ocupar um ministério na quota do PSB, abrindo a vaga para o suplente Dutra no Senado. Valadares é cotado para o Ministério do Turismo.

Ministério Agrário

O Ministério do Desenvolvimento Agrário deverá ser mantido sob o comando do PT. Há um entendimento no partido que o nome, no entanto, deverá sair da região amazônica ou do Nordeste. No grupo cotado estão a senadora Fátima Cleide (RO), que ficará sem mandato a partir do próximo ano, os deputados Pedro Eugênio (PT-PE) e Geraldo Simões (PT-BA), e ainda os senadores eleitos Wellington Dias (PT-PI) e José Pimentel (PTCE).

Divisão do bolo

Na composição do “ministério político”, a presidente eleita avisou que será de escolha pessoal dela o ministro da Defesa. Um dos nomes citados é o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato derrotado ao governo de São Paulo. As articulações caminham para o PSB ficar com dois ministérios. No cenário de hoje seria o do Turismo, com o senador Valadares, e o da Integração Nacional, para um nome a ser escolhido pelo governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). O PDT, o PCdoB, o PR e o PP comandarão um ministério cada um.

Não haverá vaga para o PTB. Pelo menos é o que se desenha no momento. O partido tentava emplacar o senador eleito Armando Monteiro Neto (PTB-PE) para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O tesoureiro da campanha de Dilma e ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Junior, deve assumir um dos ministérios destinados ao PT. Ele é cotado para o Ministério das Cidades, alvo de cobiça do peemedebista Moreira Franco. O PMDB dividiu suas indicações entre Câmara e Senado. Pela Câmara, os nomes cotados são Mendes Ribeiro e Moreira Franco. O PMDB do Senado indicará outros dois nomes, um deles o senador Edison Lobão (MA), para voltar ao Ministério de Minas e Energia.

DENISE MADUEÑO – RADAR POLÍTICO– O ESTADO DE S. PAULO