Notícias

Notícias - 29/03/2012

Salário mínimo sem ganho real

TEXTO: +A -A

Publicação: 12/03/2010 08:29

O presidente Lula, que tem alardeado a forte recomposição do poder de compra do salário mínimo, não terá uma boa notícia a dar aos trabalhadores e aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em seu último ano de governo. Se prevalecer o acordo firmado com as centrais sindicais, de que o reajuste do mínimo deve levar em consideração a variação do PIB de dois anos anteriores mais a inflação do ano anterior, o mínimo a ser definido no Orçamento de 2011 não terá ganho real. Ou seja, só será reajustado pela inflação (estimada em 5%), já que o PIB de 2009 caiu 0,2%. Será a primeira vez, em cinco anos, que o piso salarial partirá de uma base negativa.

Segundo o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, a entidade não pressionará o governo para mudar as regras no meio do jogo. “Acordo é acordo”, disse. A área técnica do governo também defende a manutenção do que foi acordado com as centrais.

Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, politicamente, a correção do salário mínimo somente pela inflação não será uma boa notícia nem para Lula nem para o próximo presidente. “Mas, para aqueles que fazem a política monetária, será uma ótima notícia, pois, o consumo tenderá a desaquecer um pouco, tirando pressões sobre a inflação”, frisou.

O acordo entre o governo e as centrais foi fechado em 2006. Na época, os sindicalistas gostaram da ideia, porque o PIB só vinha subindo. A regra também foi boa para o governo, pois além de evitar o desgaste de todo ano com o índice de reajuste, trouxe previsibilidade para as contas públicas, especialmente para a Previdência Social.O acordo vem sendo honrado desde 2007, quando o salário mínimo passou para R$ 380, com reajuste de 8,57% em relação ao piso que vigorava no ano anterior, de R$ 350. A situação se repetiu em 2008, quando o mínimo foi para R$ 415,00 ( 9,21%), em 2009, para R$ 465 ( 12,04%) e, em 2010, para R$ 510 ( 9,67%).

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE