A precarização do INSS e a escalada dos conflitos

O episódio ocorrido na agência do INSS de Farroupilha, na Serra Gaúcha, não pode ser tratado como um fato isolado. Ele é, na verdade, mais um sintoma de um problema estrutural que se agrava a cada dia: o descompromisso com milhares de pessoas que dependem do serviço público e a exposição permanente dos servidores a situações de tensão, violência e insegurança. Quando o Estado falha em garantir atendimento digno, o conflito acaba explodindo justamente no elo mais frágil da cadeia: quem está no atendimento.

Muitos dos cidadãos que procuram o INSS estão enfrentando problemas financeiros e emocionais. Encontram sistemas instáveis, um parque tecnológico obsoleto, filas quilométricas e uma quantidade insuficiente de servidores para dar conta da demanda. A frustração gerada por essas falhas não nasce do atendimento em si, mas de uma estrutura sucateada. Ainda assim, quem paga essa conta são os trabalhadores, submetidos, diariamente, a pressões que extrapolam suas atribuições.

No Ceará, já houve registros de situações graves em agências de Caucaia, Juazeiro do Norte e Fortaleza, evidenciando que os servidores do INSS são alvos de episódios de agressão. A ausência de pessoal, o acúmulo de processos e a sobrecarga de trabalho criam um ambiente propício a conflitos, deixando-os em situações de exposição a diversos tipos de reações, que colocam em risco a sua integridade e também a de quem se sente desamparado pelo Estado.

Quantos episódios ainda serão necessários para que o governo reconheça que há uma falha grave no modelo atual? Valorizar o servidor e proteger a sociedade passam, necessariamente, pela realização de concursos públicos e recomposição do quadro funcional, pela valorização dos servidores e da carreira e pela ampliação do atendimento. Cuidar do INSS é cuidar da população e cuidar da economia, já que os benefícios concedidos e mantidos distribuem renda. Ignorar isso é permitir que a crise continue se manifestando da pior forma possível.

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