CORTE: Hospitais começam a reduzir atendimento à população

Depois do anúncio do corte em 50% no volume de repasses para o programa Saúde Mais Perto de Você, 18 instituições filantrópicas e cinco hospitais públicos começaram ontem a reduzir os atendimentos à população
 
Yanna Guimarães
Do Jornal O POVO
 

Depois do anúncio do corte em 50% no volume de repasses para o programa Saúde Mais Perto de Você, 18 instituições filantrópicas e cinco hospitais públicos começaram ontem a reduzir os atendimentos à população
 
Yanna Guimarães
Do Jornal O POVO
 
Depois de obter a recomendação das vizinhas de que a Maternidade Doutor Paulo Sarasate, em Caucaia, oferecia todas as condições para a estadia do bebê após o parto, caso houvesse alguma complicação, a lavadeira Ana Maria Coelho, 29, não teve dúvidas em procurar a entidade para ter o seu sétimo filho. Nascido no último dia 28, o bebê precisou de cuidados no berçário, pois nasceu muito pequeno. Apesar da confiança da mãe na maternidade, o bebê teve de ser transferido para Fortaleza no início da tarde de ontem, com cinco outros recém-nascidos, já que o serviço não estava mais sendo oferecido pela entidade, cujos recursos foram cortados em 50% pelo Governo do Estado.
 
Como a maternidade em Caucaia, outras 18 instituições filantrópicas e cinco hospitais públicos começaram ontem a reduzir ou fechar seus setores de emergência. O motivo foi o corte, anunciado na última terça-feira, que estabeleceu uma redução de 40% para hospitais públicos e de 50% para os filantrópicos no volume de repasses para o programa Saúde Mais Perto de Você. De acordo com Luis Fernando Baum, presidente da Federação das Misericórdias e Associações Filantrópicas, a diminuição no atendimento variou conforme a necessidade de cada diretor. Algumas entidades paralisaram os serviços à noite, outras cortaram profissionais. Entretanto, nenhuma delas fechou completamente.
 
"Vamos ter que reduzir porque não temos como pagar os custos e funcionários. Fechar 100% não podemos, pois temos uma responsabilidade social muito grande com a população", relata Fernando. Ele afirma que a federação é a favor da reestruturação do programa Saúde Mais Perto de Você, mas que o corte poderia ter sido feito depois da avaliação do Estado. "Não vamos passar a mão na cabeça de entidades que não estão dando o resultado que o Estado exige. Mas tivemos unidades que passaram de 3,7% para 84% no atendimento em algumas especialidades". Fernando destaca que o principal problema com a diminuição dos serviços é a possível superlotação dos hospitais em Fortaleza com pacientes do Interior. Segundo ele, em 2005, foram atendidas 954.502 pessoas nos serviços ambulatoriais desses hospitais.
 
No Hospital São Vicente de Paulo, em Itapipoca, que atende sete municípios, o atendimento só está funcionando 12 horas por dia. Conforme a assistente administrativa Meirilene Oliveira, a situação está difícil e os serviços médicos estão sendo revezados. Às quintas e sextas-feiras haverá um médico traumatologista e às sextas-feiras, um cirurgião. "O que a gente pode manter, estamos mantendo, mas com um valor bem abaixo".
 
O mesmo problema ocorre em Baturité, no Hospital Pinto do Carmo. Segundo a diretora da entidade, irmã Maria da Graça Pereira, a neonatologia é a área mais prejudicada. "Já demos início às transferências para Fortaleza. O problema é que o corte não atinge só o médico, mas também a população".
 
Em meio às discussões, pessoas como Ana Maria, que mora em Paraipaba, sofrem mais. Ela teve de ver seu filho recém-nascido ser levado a Fortaleza para ser mantido no berçário e adquirir um peso maior. "Aqui, o serviço foi cortado. Disseram que não podem fazer nada e ele tem de ir, se não, pode morrer". Nervosa e chorando muito, a mãe se dizia desesperada por não poder acompanhar o filho por falta de dinheiro. "Não tenho como ir a Fortaleza e não queria que ele fosse sozinho, ele é tão pequeno. A gente tem muitas dificuldades, meu marido trabalha na roça. Eu não sei como vai ser, se vou ver meu filho de novo".
 
Hospitais que reduziram o atendimento:
– Hospital e Casa de Saúde de Russas (Russas)
– Hospital Dona Maria Muniz (Cruz)
– Hospital Madalena Nunes (Tianguá)
– Hospital e Maternidade Doutor Agenor Araújo (Iguatu)
– Hospital Murilo Aguiar (Camocim)
– Hospital Nossa Senhora das Graças (Cascavel)
– Hospital Pinto do Carmo (Baturité)
– Hospital Regional Doutor Pontes Neto (Quixeramobim)
– Hospital Regional de Icó Deputado Oriel Guimarães Nunes
– Hospital Santa Isabel (Aracoiaba)
– Hospital Santa Luzia de Marilac (Aracati)
– Hospital São Francisco (Canindé)
– Hospital São Francisco (Crato)
– Hospital São Lucas (Crateús)
– Hospital São Lucas (Juazeiro do Norte)
– Hospital São Raimundo (Limoeiro do Norte)
– Hospital São Vicente (Barbalha)
– Hospital São Vicente de Paulo (Itapipoca)
– Maternidade Doutor Paulo Sarasate (Caucaia)
– Maternidade Escola Assis Chateabriand (Fotaleza)
– Maternidade Jesus Maria José (Quixadá)
– Santa Casa Misericórdia (Sobral)
– Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância (Ipu)

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