A falta de médicos na emergência, prejudicou, ontem, o atendimento no Hospital do Coração de Messejana. A carência de profissionais ocorreu principalmente no setor de atenção básica. Tido como hospital terciário para atendimento de alta complexidade cardiovascular, o Hospital tem na emergência o principal ponto de estrangulamento, onde a demanda não para de crescer. Enquanto isso, a oferta de profissionais multidisplinares de saúde vem sendo suprida por serviços terceirizados ou por meio de cooperativas.
Do Diário do Nordeste
Os transtornos de ontem foram lamentados por Maria das Dores Vieira dos Santos, residente no bairro João XXIII. Ela, que reclamava da falta de ar e pressão alta, disse que tem sido sistemática a longa espera. “Chego aqui pela manhã, já sabendo que serei atendida no começo da noite”. Ela concorria numa longa espera com pacientes que também vieram de outros municípios do Estado, onde faltam hospitais para o atendimento de pacientes com problemas cardíacos ou pulmonares.
O diretor geral do Hospital de Messejana, Petrônio Leitão, admitiu que faltou, pelo menos, um médico na emergência no setor de atenção básica. Ele informou que o problema é recorrente e atribui a falta de compromissos dos prestadores de serviços terceirizados e das cooperativas que estão negligenciando o trabalho.
“O problema é que o hospital está mais aparelhado para receber enfermos, mas a demanda é muito maior na emergência, principalmente por conta da desinformação de muitos pacientes, que não entendem que os nossos serviços são, sobretudo, voltados para os de alta complexidade médica”, afirmou.
Petrônio Leitão disse também que a falta de médicos está sendo reclamada diretamente com os responsáveis pela contratação e sugeriu um rigor mais ostensivo dos órgãos reguladores para os médicos faltosos. “Aqui tem faltado médicos e não se toma nenhuma medida enérgica para punir os responsáveis”, afirmou.
No entanto, o diretor diz que o problema maior é o desmantelo dos serviços de saúde no Interior do Estado, que sobrecarrega unidades de saúde de referência em Fortaleza. Ele diz que há municípios de médio e grande porte que já deveriam estar dotados de unidades secundárias e terciárias.
Com relação à falta de médicos, Petrônio Leitão acredita que a situação nos hospitais públicos do Estado somente deverá se regularizar no próximo ano, quando assumirem os profissionais que passaram no último concurso público, promovido pela atual administração estadual.
“Estávamos há quase 20 anos sem a realização de um concurso público e, enquanto isso, a demanda aumenta a todo momento. Em 2002, havia uma média de atendimento na emergência de 8.694 enfermos por mês, este ano a média é de 9.726, representando um incremento de 20%”, ressaltou Petrônio Leitão.
Demanda aumentou após melhorias
Se todos os serviços de saúde no Estado cresceram nos últimos anos, principalmente os Programas de Saúde da Família (PSF), era de se esperar que a demanda nos hospitais terciários diminuíssem. Não foi o que aconteceu no Hospital de Messejana, segundo o diretor Petrônio Leitão.
Na sua avaliação, depois do hospital ter melhorado seus equipamentos e atendimentos, houve até um incremento na procura. Ele lembra que hoje dirige a única unidade do Norte e Nordeste que dispõem de um serviço de hemodinâmica (cateterismo), que funciona as 24 horas do dia.
Além disso, é referência no aparelhamento e em recursos humanos para a prestação de cirurgia vascular, cardíaca, cirurgia cardíaca pediátrica, métodos invasivos extracardíacos e transplantes. Depois de uma espera de dez anos por um tomógrafo, somente agora passou a disponibilizá-lo junto ao público carente.
Petrônio chama a atenção que o Hospital é um dos poucos do País a realizar a endoprótese, que chega a custar nas instituições particulares de R$ 27 mil, além de implantar 30 marcapassos com um custo de R$ 6 mil por unidade.
O diretor também lembra que houve um aumento de número leitos. Em 2002, o total era de 234, hoje chega a 308. Já as internações tiveram um incremento de 50%, considerando janeiro a setembro. Em 2002 a média era de 462, enquanto este ano, a média está em 667.

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