Hospital de Messejana não faz transplante há 60 dias

No ranking nacional, o Hospital de Messejana se destaca como a unidade que realizou o maior número de transplantes de coração em 2006
 
Fátima Guimarães
Do Jornal O POVO
 

No ranking nacional, o Hospital de Messejana se destaca como a unidade que realizou o maior número de transplantes de coração em 2006
 
Fátima Guimarães
Do Jornal O POVO
 
RUTÊNIO Luiz Girão, 42, aguarda o transplante de coração internado no Hospital de Messejana. A boa notícia é que o Hospital de Messejana (HM) aparece no relatório da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e Tecidos (ABTO), divulgado na última terça-feira, 3, como a unidade do País que realizou o maior número de transplante cardíaco em 2006, com 17 procedimentos. Mas não tem comemoração. Este ano a situação está crítica. Foram três transplantes e desde o dia 30 de janeiro nenhum paciente mais recebeu novo coração. Na fila de espera, oito doentes, muitos deles graves, aguardam a chance de ser operados.
 
O chefe da Unidade de Transplante e Insuficiência Cardíaca e diretor médico do HM, João David de Souza, diz que o reconhecimento nacional demonstra o potencial do centro, que dispõe de equipe e estrutura para o pré e pós-transplante. "O hospital individualmente foi o que mais transplante fez, se levarmos em consideração ainda a população, estamos muito bem". Em São Paulo, por exemplo, existem vários centros e depois do HM, vem o Instituto do Coração (Incor) com 14. No entanto, ele observa que houve uma queda considerável no número de transplantes cardíacos no Ceará, situação que segue o cenário nacional. Em 2004, a equipe do Messejana fez 24.
 
Falta de conscientização da família, demora dos hospitais em comunicar à Central de Transplante de Órgãos a existência do potencial doador, contribuindo para demora no diagnóstico de morte encefálica, são obstáculos à doação. A equipe corre contra o tempo para que o candidato a doador seja mantido adequadamente (com drogas e aparelhos) e os órgãos possam ser aproveitados. João David diz que, infelizmente, ainda se perde coração por causa desse problema crônico.
 
Além dos oito doentes que estão na fila, 12 realizam exames e se preparam para ingressar no cadastro da Central. "Fazemos um trabalho de formiguinha para melhorar a notificação do potencial doador, pois queremos evitar mortes na fila", observa João David, lembrando que ano passado foram seis óbitos de candidatos a transplante.
 
Enquanto isso, Luciano da Silva, 30, há seis meses na fila por um coração novo, não perde a esperança. "Quero sair daqui, ter uma vida normal e ajudar minha família". Rutênio Luiz Girão, 42, aguarda o transplante internado no HM. "Quero voltar a viver e isso será possível com o transplante".
 
Juan Mejia, coordenador cirúrgico do transplante cardíaco do HM, diz que em decorrência da gravidade dos pacientes não dá para esperar. "As doações já são escassas e não estamos conseguindo tornar viáveis as poucas que aparecem, pois quando todo o processo é concluído o coração não tem mais condição de ser transplantado". Para o médico, é preciso um maior envolvimento dos que estão nas unidades onde há potenciais doadores.
 
SERVIÇO
Mais informações sobre doação de órgãos na Central de Transplante pelo telefone (85) 31015255
 
CIRURGIAS NO CE
 
Quem espera doação
Coração: 8
Córnea: 886
Rim: 173
Fígado: 114
Total: 1.181
 
Quantos saíram da fila
Coração: 3
Córnea: 84
Rim: 27
Fígado: 16
 
Total: 130 (janeiro a 28/03)
 
Fonte: Central de Transplante de Órgãos e Tecido do Ceará

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