Mulheres ocupam por 12 horas ferrovia da Vale do Rio Doce em Minas

Com o protesto, cerca de mil mulheres denunciam o desajolamento de duas mil famílias por conta das inundações geradas pela construção da Barragem de Aimorés, obra feita em parceria entre a Vale e a Cemig, companhia de energia elétrica mineira
 

Com o protesto, cerca de mil mulheres denunciam o desajolamento de duas mil famílias por conta das inundações geradas pela construção da Barragem de Aimorés, obra feita em parceria entre a Vale e a Cemig, companhia de energia elétrica mineira
 
Na madrugada desta segunda-feira (10), cerca de mil mulheres de movimentos que integram a Via Campesina ocuparam os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), uma das principais ferrovias da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), no município de Resplendor, em Minas Gerais. O bloqueio da rodovia durou 12 horas.
 
De acordo com as manifestantes, a mobilização integra a "jornada nacional de luta das mulheres em defesa da vida e contra o agronegócio" e recebeu apoio dos moradores da região. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, os comerciantes irão fechar seus estabelecimentos duas horas mais cedo para poderem se somar à manifestação.
 
No início da noite, a Via Campesina rebateu acusação da Vale de que estaria mantendo como refém um maquinista da empresa. A articulação de movimentos camponeses – que reúne MST, MAB, MPA, entre outros – afirmou que a ocupação respeitou os direitos humanos e que os funcionários da Vale foram liberados logo em seguida. "As falsas informações divulgadas pela Vale pretendem evitar que a sociedade tome conhecimento das denúncias das camponesas contra a empresa", diz a nota (leia a íntegra). Segundo a Via Campesina, a Vale tenta vender uma falsa imagem de empresa que está ao lado do povo brasileiro e trata um problema social como caso de polícia.
 
A ação teve o objetivo de denunciar o desajolamento de duas mil famílias por conta das inundações geradas pela construção da Barragem de Aimorés, obra feita em parceria entre a Vale e a Cemig, companhia de energia elétrica mineira com atuação em outros sete estados brasileiros e também no Chile.
 
A barragem inundou 2 mil hectares de terra, o equivalente a 2 mil campos de futebol. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de MG, cerca de cem mil famílias dos municípios de Baixo Vandu, Aimorés, Resplendor e Itueta foram atingidas – direta e indiretamente – pelas inundações das barragens. Duas mil tiveram suas terras alagadas. Apenas 40 foram indenizadas. Além disso, a barragem inviabilizou o funcionamento do sistema de esgoto da cidade de Resplendor, o que gera descontentamento na população, simpática ao protesto.
 
Negociações
 
Na segunda-feira (10), a Vale soltou uma nota em sua página na internet condenando o ato. Afirma que “com a paralisação dos serviços, cerca de 300 mil toneladas de minério de ferro deixarão de ser transportadas por dia pela ferrovia, que tem 905 km de extensão e corta 51 municípios nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo”. A direção da empresa classificou de "bandidos e criminosos" os manifestantes e se negou a abrir negociações. A Vale informou também que pretende processar as lideranças das organizações sociais.
 
Os movimentos participantes denunciaram também as tarifas energéticas abusivas da Cemig. A empresa beneficia a Vale na venda de energia e prejudica a população. A Cemig cobra R$ 70 por 100 kilowatts consumidos por uma família. Já a Vale paga apenas R$ 3,50 pelo mesmo volume de energia. A empresa está entre as cinco maiores mineradoras do planeta e responde, no Brasil, pelo consumo de 6% de toda a energia produzida no sistema nacional.
 
A escolha da Vale como palco de manifestações está ligada à campanha por sua reestatização. Privatizada em 1997, o anulamento do leilão de sua venda foi reforçado pelo Plebiscito Popular realizado em 2007. Seu lucro no ano de 2007 atingiu a cifra recorde de R$ 20 bilhões, sendo que foi vendida pelo governo FHC por apenas R$ 3,3 bilhões (leia Especial da Vale). “"Com esta ação, denunciamos a apropriação por grupos estrangeiros de nosso patrimônio nacional. Lutamos para que a Vale volte a ser do povo brasileiro, a fim de que impactos como esse de Resplendor não continuem ocorrendo e que haja controle popular sobre a extração e apropriação do nosso minério”", divulgou nota da organização do movimento.
 
Nova ação
 
Essa foi a segunda ação contra a Vale durante a Jornada de Lutas. No sábado (dia 8), cerca 900 trabalhadoras sem-terra realizaram um protesto em frente às instalações da carvoaria industrial da Vale (ex-companhia Vale do Rio Doce) para denunciar que a queima de eucalipto plantado na área está causando problemas respiratórios nos trabalhadores do assentamento Califórnia, no município de Açailândia, no Maranhão.
 
Há três anos em atividade, a carvoaria foi instalada a cerca de 800 metros da agrovila do assentamento onde vivem mais de 1800 pessoas. Tem instalado 74 fornos industriais com capacidade cada um de produzir 160m³ de carvão, cada forno industrial tem capacidade de produzir 30 vezes mais que um forno de uma carvoaria comum.
 
Movimento pelo Brasil
 
De acordo com a assessoria de imprensa do MST, a jornada de lutas já rendeu mobilizações em 17 Estados. Até dia 7, sexta-feira, as mulheres da Via Campesina já tinha realizado protestos nos Estados de São Paulo (contra Monsanto), Distrito Federal, Paraná e Rio de Janeiro (contra Syngenta), Rio Grande do Sul (contra Stora Enso), Pernambuco (contra monocultura da cana), Rondônia, Mato Grosso, Alagoas, Rio Grande do Norte, Pará (com pautas estaduais).
 
Na Bahia, cerca de três mil trabalhadores rurais ocuparam a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), para cobrar o cumprimento da pauta de reivindicações do movimento, que foi entregue ao governo no ano passado.
 
No Mato Grosso do Sul, 300 Sem Terra, em sua maioria mulheres, realizaram um protesto em frente à transnacional Cargill, na cidade de Dourados, e pararam a fábrica por algumas horas para protestar contra o avanço do agronegócio, que penaliza o trabalho de camponeses da região e em todo o país.
 
No Ceará, mais de 600 mulheres da Via campesina realizaram ato no município de Madalena, pela manhã, e depois fecharam por duas horas a BR-020. Durante o ato, as mulheres entregaram manifesto contra as empresas transnacionais e contra a transposição do Rio São Francisco.
 
Na região oeste de Santa Catarina, em Xanxerê, cerca de 700 mulheres fecharam o acesso à empresa Agroeste, empresa de sementes de milho comprada pela transnacional americana Monsanto. Depois, fecharam por meia hora o trevo da BR 282, que dá acesso a Xanxerê e diversos municípios, fizeram uma caminhada pelo centro da cidade.
 
A Agroeste era uma empresa catarinense e, no final do ano passado, foi comprada pela Monsanto. Com isso, a maior produtora de sementes de milho do estado está na mão de uma empresa estrangeira.
 
*Com informações da Agência Brasil de Fato/Dafne Melo

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