Pacientes do Interior ainda lotam hospitais de Fortaleza

Das 50.269 internações registradas em Fortaleza no ano passado, 57,8% são pacientes de municípios do interior do Estado. Somente dois municípios, Caucaia e Maracanaú enviaram mais de cinco mil pacientes para se internarem em hospitais de Fortaleza
 
Marcos Cavalcante
Do Jornal O POVO
 

Das 50.269 internações registradas em Fortaleza no ano passado, 57,8% são pacientes de municípios do interior do Estado. Somente dois municípios, Caucaia e Maracanaú enviaram mais de cinco mil pacientes para se internarem em hospitais de Fortaleza
 
Marcos Cavalcante
Do Jornal O POVO
 
Emergências dos hospitais superlotadas; dificuldades na realização de exames; falta de condições básicas de trabalho para médicos; filas formadas de madrugada para a marcação de consultas. Este é um quadro da composição do sistema público de saúde presente em vários centros de atendimento hospitalar em Fortaleza. Mas onde estariam as falhas no sistema de saúde, que levam muitas pessoas a determinados centros de atendimento e falta de demanda em outros?
Em Fortaleza, parte do problema, de acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Odorico Monteiro, está na vinda de pessoas da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e Interior. Segundo dados da SMS, das 50.269 internações realizadas em Fortaleza em 2005, 57,8%(29.055 pessoas) não são residentes na Capital. Os outros 42,2% (aproximadamente 21,2 mil pacientes) foram oriundos da cidade. Somente dos municípios de Caucaia (6,6%) e Maracanaú (4,3) internaram-se 5.373 pessoas. Os números de 2006 ainda não foram contabilizados.
Odorico Monteiro explica que esses números são por causa, em grande parte, à quantidade de hospitais especializados que existem em Fortaleza, como o Hospital de Messejana, que trata de problemas do cardíacos, e emergências, como as que chegam ao Instituto Doutor José Frota (IJF). "O bolo de recursos que o SUS (Sistema Único de Saúde) envia para o Estado, não dá para cobrir todos os gastos", ressalta Odorico, explicando o funcionamento do sistema de referência, que utiliza parte dos recursos de um município para cobrir atendimentos realizados em outros.
Ele destaca, entretanto, que não deseja começar uma briga entre o Interior e a Capital, mas tornar mais efetivas as procedências desses pacientes. "Queremos garantir o sistema como um todo", diz Odorico, ressaltando que Fortaleza gastou em torno de 25% de sua Receita Corrente Líquida, algo em torno de R$ 300 milhões com a saúde. "Só para o Instituto do Câncer, repassamos R$ 22 milhões", completa.
O operador de máquina Antônio Gomes do Nascimento, 55, internou-se 49 dias no Hospital de Messejana. Inicialmente, ele conta que chegou ao hospital Abelardo Gadelha, em Caucaia, reclamando de fortes dores. "Passei seis dias e não resolveram nada. Diziam que era uma inflamação pulmonar. Minha filha conseguiu minha transferência para o (Hospital) de Messejana. Lá, encontraram uma série de complicações", diz Nascimento, que retornou no dia 1º de novembro ao Abelardo Gadelha para conseguir novo encaminhamento ao Hospital de Messejana.
O Instituto Doutor José Frota (IJF) pode ser considerado o termômetro da saúde no Estado. Para lá, a todo instante chegam pacientes vindos de todos os cantos do Ceará. No geral, de janeiro a agosto deste ano, foram mais de 23 mil pacientes que deixaram seus municípios para buscar atendimento em Fortaleza, número correspondente a 15,61% do total de pacientes nos sete primeiros meses deste ano, que registrou um volume de 170 mil pessoas no hospital. Mais de 8,5 mil pessoas saíram de Caucaia (cinco mil) e Maracanaú (3,5 mil) para se consultar na emergência e outros setores do IJF.
O diretor do IJF, Francisco Wandemberg Rodrigues, acredita que o fluxo de pacientes cairia para 100 mil pessoas por ano se os hospitais da RMF e demais municípios do Interior estivessem bem estruturados. Ele lembra que o Ceará está dividido em três grandes Macrorregiões, de Fortaleza, Sobral e Cariri. "Cada região dessas era para ser auto-suficiente. Um paciente muito queimado tem de vir realmente para cá, mas não casos menores", frisa.
 
Volume de internações em Fortaleza
 
Município Porcentagem no sistema Valores quantitativos
Fortaleza 42,2% 21.213
Caucaia 6,6% 3.317
Maracanaú 4,3% 2.161
Maranguape 1,8% 904
Aquiraz 1,7% 854
Pacajús 1,3% 653
Eusébio 1,3% 653
Itaitinga 1,2% 603
Horizonte 1,2% 603
Itapipoca 1,0% 502
 
Fonte: SMS

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