Por: William Mendes é secretário de Imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
Esta reflexão é sobre um dos temas mais "importantes" do momento pelo qual o Brasil atravessa com o seu chamado "mar de lamas na política" e o período eleitoral. É sobre a criação da "importância" ou "do que é importante" ou ainda "o que importa" para a grande mídia.
Este assunto também se relaciona diretamente com a palavra-chave dos meios de comunicação e suas instituições: a pauta.
E o que é a pauta? Quem a define?
Esta palavrinha significa quase tudo nos meios de comunicação. Para entender melhor, façamos algumas elucubrações:
Diariamente, tem-se um certo número de páginas e seções em um jornal escrito ou revista ou tantos minutos em algum jornal televisivo. Escolha qualquer tema (atualmente, prefiro falar em "alvo"). Pode-se ter uns 50 fatores positivos e outros 50 negativos acerca do alvo (tema).
De acordo com o interesse do dono da pauta (editor, dono do jornal, financiador do meio de comunicação, maior acionista etc) pode-se fazer dúzias de matérias ou reportagens, por dias seguidos, com falsa isenção e imparcialidade. (Aliás, vamos falar francamente: é uma falácia esse negócio de alguém ou algo dizer que é neutro, isento, imparcial etc etc. – quem fala, fala de algum lugar, isto é inerente ao ato de comunicar-se!).
Podemos citar alguns momentos históricos que lembram "o que era importante para os meios de comunicação": (aqui, este que vos fala, também o faz de algum lugar: a partir de ideais de esquerda, como socialista e sindicalista).
– Os movimentos sociais já fizeram passeatas e mobilizações com centenas de cidadãos nas ruas nos idos de 1970 e 80 e alguns dos maiores meios de comunicação da época divulgavam, à noite ou no dia seguinte, pautas importantíssimas como novelas novas que estreariam, partidas de futebol memoráveis e (acredite!) receitas de bolo ou outras guloseimas;
– Meses atrás, a revista "Carta Capital" denunciou a hipocrisia do ineditismo de matéria de capa da revista "Época", deixando claro que a notícia desta já havia sido feita por aquela três anos antes. A própria revista "Carta Capital – ano 12 número 356, seção: a semana" se diz chocada com a mídia: "Pobre País, com este jornalismo";
– Mais histórica e pontual, por exemplo, foi a reedição do último debate entre os dois candidatos à Presidência da República em 1989 – Lula x Collor, feito pela Rede Globo no sábado anterior ao pleito de domingo.
Diga-me: o que você leitor/ouvinte pensa ao ouvir um chamado ou propaganda de um jornal/rádio/revista assim: "…as notícias mais importantes do dia…", "Folha, não dá pra não ler…", etc?
Quem escolhe essas tais notícias mais importantes? (Leitor/ouvinte, não tenha dúvida que é a pessoa/organização de onde se fala!!).
É neste sentido que você precisa começar a desconfiar da "importância" da pauta que te vendem.
O momento em que vivemos, exige que tenhamos capacidade de identificar os atores sociais. Não se pede que as pessoas tapem o sol com a peneira ou se tornem alienados e não vejam mais notícias.
No entanto, é preciso dar um voto de confiança àqueles a quem podemos chamar de pares, ou melhor dizendo, não escondamos as classes existentes e em eterno embate por ocupar espaço na sociedade.
Entre os diversos grupos pertencentes à nossa Sociedade Brasileira temos percebido ao longo dos anos uns que se expressam/identificam nitidamente com meios de comunicação como o Grupo Folha, Veja, Estadão e Organizações Globo. (Dou-me, inclusive, o direito de dizer que enquanto seria normal ver a voz tucana/pefelista em revistas como "Primeira Leitura", considero hoje, a revista "Veja" como a verdadeira voz tucana e a mais parcial das revistas brasileiras).
Poucas alternativas sobram para aqueles mais socialistas, progressistas e que pensam um mundo menos neoliberal: "Revista do Brasil", "Fórum", "Caros Amigos" e talvez a única semanal de mesmo potencial de vendagem em banca – "Carta Capital".
Para finalizar esta reflexão sobre "a pauta", "o que é importante" e "de onde se fala", às vezes, fico chocado com o fato de certos trabalhadores, vez por outra, involuntariamente ou não, lerem a revista ou jornal interno da empresa (patronal) e não pegarem o seu informe, ou seja, do seu representante (seu par, de sua classe) como por exemplo o jornal ou revista do seu sindicato, da sua Central, do seu partido etc.
Esta é a conscientização mínima que a classe dominada precisa para enfrentar estes duros tempos.
Fonte: www.cut.org.br – Seção: Ponto de Vista























