Organizações que organizaram a consulta sobre a Vale preparam mobilização em 24 de outubro em Brasília em defesa dos direitos dos trabalhadores
Pedro Carrano,
Do Brasil de Fato
O plebiscito popular levou a milhares de trabalhadores o debate sobre a retomada da companhia Vale do Rio Doce (CVRD), o alto custo das tarifas de energia, a reforma da previdência e a dívida pública. Estes temas, relacionados entre si, vão pautar as mobilizações das diferentes forças de esquerda que construíram o plebiscito conjuntamente.
No momento, a apuração dos votos ainda está acontecendo em alguns estados. Por conta disso, a entrega dos resultados da votação para os três poderes – prevista para ocorrer no dia 15 – foi transferida para 9 de outubro (data que coincide com a semana da morte do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara).
Além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, outro alvo da pressão das organizações serão os ministérios que estão diretamente ligados às quatro perguntas do plebiscito. É o caso da Previdência, de Minas e Energia e a Fazenda (responsável direto pela questão da dívida). Outro fato relevante remete ao Ministério do Meio Ambiente: a Companhia Vale do Rio Doce possui a concessão de uma área de 700 mil hectares da Floresta Amazônica, ao redor da reserva mineral de Carajás. Na proposta dos movimentos sociais, este território deve tornar-se reserva ambiental.
Também em 9 de outubro, mobilizações serão organizadas nos estados. Um dia antes, coletivas de imprensa devem anunciar o resultado local da votação. Como ressaltou um dos presentes na reunião da Assembléia Popular, a avaliação é de que o plebiscito teve ampla participação massiva, sendo fundamental agora compartilhar com a população o resultado da sua própria luta.
Jornada de lutas do dia 24
De acordo com Zé Maria, da Conlutas, os quatro temas do plebiscito são a base da plataforma de reivindicações que organizações dos trabalhadores levarão a Brasília no dia 24 de outubro. Nesta data acontece a Marcha em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores, planejada por organizações que também construíram o plebiscito. “As quatro perguntas fornecem um quadro global dos desafios neste momento. O plebiscito popular ofereceu um aprendizado na busca das mobilizações e ajudou na criação de consciência, massificando os temas do plebiscito. A marcha de 24 de outubro vai cobrar do governo o que foi conquistado com este plebiscito”, afirma.
Zé Maria afirmou que, em pesquisa feita pela Conlutas junto a operários da CVRD, nos estados onde a companhia gera produção, 95% dos trabalhadores consultados estão a favor da retomada da Companhia Vale do Rio Doce. Agregou ainda que a difusão de temas como o da Previdência foi uma das contribuições principais do plebiscito. “O objetivo da marcha é levar esses temas para uma parcela ampla da população. São temas que permitem uma mobilização futura dos trabalhadores”, comenta.
Para Ana Paula Rosa de Simone, da Intersindical, o plebiscito dá continuidade ao processo de lutas iniciado na Jornada de Lutas do dia 23 de maio, contra as reformas que eliminam direitos dos trabalhadores. Segundo ela, a campanha estabelece pautas comuns de luta para a classe trabalhadora. Além disso, tem o aspecto de denunciar as privatizações, mas também perguntar, no caso das chamadas estatais, sobre quais interesses estas empresas estão servindo, ao promover terceirizações e perda de direitos.
A sindicalista afirma que, na região de São José dos Campos, onde atua, o trabalho de formação com os trabalhadores partiu de experiências concretas que a classe experimentou com a privatização. “Os trabalhadores da Embraer já sofreram esta experiência e, com a privatização, tiveram 10% da redução de salários da categoria”, comenta.

Greve INSS é destaque no programa “Chame o Barra”
Na quinta-feira (18), a TV Jangadeiro, afiliada do SBT, acompanhou de perto o terceiro dia de greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social






















