Protesto na Parangaba lembra falta de inclusão

O Grito dos Excluídos reuniu ontem na Parangaba representantes de diversos grupos que lutam pela inclusão social. Com o lema "Brasil: na força da indignação, sementes de transformação", a 12ª edição do evento chamou a atenção para a questão da moradia, da criança vítima de abuso sexual, dos catadores e catadoras de material reciclável e do desemprego
 
Henriette de Salvi
da Redação
 

O Grito dos Excluídos reuniu ontem na Parangaba representantes de diversos grupos que lutam pela inclusão social. Com o lema "Brasil: na força da indignação, sementes de transformação", a 12ª edição do evento chamou a atenção para a questão da moradia, da criança vítima de abuso sexual, dos catadores e catadoras de material reciclável e do desemprego
 
Henriette de Salvi
da Redação
 
"Se eu morresse hoje, não morreria realizada", confessa Fatinha. A animada Maria de Fátima Neves, 48, tem cabelos com penteado rastafari em tom de cor-de-rosa e um sorriso cativante. Cercada de amigos, fala com uns, abraça outros, tira brincadeira com uma vizinha do bairro. A alegria aparente se desfaz numa conversa em meio aos apitos e batucadas que marcaram a 12ª Edição do Grito dos Excluídos, que trouxe o lema "Brasil: na força da indignação, sementes de transformação".
 
"Queria mesmo era ser médica, mas falavam que uma aleijada não poderia e eu acabei acreditando", conta ela, que perdeu o braço direito quando brincava em um engenho de cana-de-açúcar aos 8 anos de idade, no município de Alto Santo. De lá para cá, Maria de Fátima lembra que já sofreu todo tipo de preconceito. "No colégio já era difícil, achavam que deficiente não tinha mentalidade". Mas ela concluiu o ensino médio e arranjou trabalho como avaliadora de crédito. Hoje está desempregada e mora na casa dos pais. Nunca casou nem teve filhos. "Até para isso é difícil". Mas admite bem-humorada: "Ah, pra namorar dá sim".
 
A história de Fatinha encontra eco em milhares de excluídos no País. Grupos de mulheres, crianças, indígenas, negros e deficientes que se uniram neste dia 7 de setembro, no Pólo Poliesportivo da Parangaba, para uma manifestação que ocorre em sintonia com várias cidades do Brasil. "Estamos nos organizando para alcançar esta tal independência", disse Sandra Monteiro Bessa, professora e presidente do Sindicato dos Servidores em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza.
 
Para Francisco Vladimir Lima da Silva, articulador das Pastorais Sociais e do Grito dos Excluídos em Fortaleza, o movimento tem objetivos específicos a cada ano, baseados nos problemas detectados nos municípios. "A questão da moradia, da criança vítima de abuso sexual, dos catadores e catadoras de material reciclável e do desemprego, são as temáticas que queremos abordar em 2006", explica.
 
Maria de Fátima se enquadra entre os desempregados. Ela acredita que as empresas que oferecem vagas para deficientes deveriam avaliar a capacidade profissional deles e não apenas cumprir a lei. "Para você ter uma idéia, algumas empresas oferecem vagas para deficientes e não têm rampas de acesso, outras cobram para que os deficientes façam um curso antes de empregá-los, mas alguns não tem dinheiro nem para o transporte", denuncia.
 
O que Fatinha quer, é mais do que ter seus direitos reconhecidos. "Somos capazes como qualquer outra pessoa e queremos que nos vejam assim", conclui. Uma faixa levada por alguns estudantes durante a manifestação traduzia os sentimentos dela e de outros excluídos. "Somos o que somos não o que dizem".
 
Fonte : www.opovo.com.br

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