Durante a campanha eleitoral à presidência da República, o atual Ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas falou, que logo no início do mandato, o novo presidente (independente de quem ganhasse) encaminharia mais uma reforma da Previdência. Tais mudanças sinalizam para que os trabalhadores brasileiros, assim como os franceses, fiquem atentos e se prepararem para uma nova luta.
A crise que se gerou na França mostrou a força de um povo diante a inflexibilidade do presidente Nicolas Sarkozy, na tentativa de fazer uma reforma na Previdência. Tais mudanças, inclui aumentar em dois anos a idade mínima para as aposentadorias (de 60 para 62 e de 65 para 67 no caso da aposentadoria integral).
A união de todas as categorias (públicas e privadas) como forma de barrar tais mudanças, foi algo fundamental, mostrando ao governo francês que o povo não aceitaria tudo de braços cruzados. Cerca de 3,5 milhões de pessoas participaram das manifestações no dia 12 de outubro, data que teve início as greves nacionais, mobilizando vários setores como: transportes, refinarias e educação.
Não cabe discutir aqui e agora os motivos que a França teve para fazer a tal “reforma das reformas”. O que nos preocupa, é que novamente os trabalhadores brasileiros terão que passar por mais uma mudança na previdência (FHC – 1998 e Lula – 2003), que inclui também alterar a idade mínima para aposentadoria, exatamente como na reforma francesa.
Mesmo os especialistas afirmando que o Brasil está inserido em um “nó” previdenciário, é necessário cobrar mais dos governantes. Por que atingir só o bolso dos trabalhadores com a nova reforma, já que existem empresas (públicas e privadas) que sonegam e tem suas dívidas perdoadas? Talvez seja devido a esses “privilégios”, que a Previdência alega que não tenha recursos gerando o déficit. Mas como está prevista para acontecer em breve, o brasileiro, assim como os franceses, tem que ir a luta contra a terceira reforma proposta pelo governo. Como é possível criar uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria num país onde as pessoas são consideradas velhas para o trabalho depois dos 40 anos? Ou determinar igualdade de tratamento para aposentadorias entre homens e mulheres se a mesma igualdade não existe no mercado de trabalho?
A força dos franceses tem que servir de exemplo aos brasileiros. É necessário que todos entendam, agora mais que nunca, que os trabalhadores precisam se unir, para defender seus direitos. E assim o velho ditado “a união faz a força”, volte a fazer parte de nossas vidas e quem sabe, faça a diferença também aqui no Brasil. E viva la France!!!
SINPRECE























