Em Alagoas, greve contra o choque de gestão

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação diz que servidores resistirão até que o governo reveja decisão de congelar salários do funcionalismo público
Raquel Casiraghi,
 
Do Brasil de Fato
 

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação diz que servidores resistirão até que o governo reveja decisão de congelar salários do funcionalismo público
Raquel Casiraghi,
 
Do Brasil de Fato
 
Mais de 30 mil servidores públicos de Alagoas entraram em greve na semana passada contra o congelamento de salários e de investimentos proposto pelo novo governador do Estado. Repetindo as decisões dos seus colegas de partido Aécio Neves, em Minas Gerais, e Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, o governador Teotônio Vilela Filho, do PSDB, cancelou reajustes concedidos no ano passado. A greve atingiu os setores da educação, saúde e segurança, paralisando inclusive o policiamento de rua e o trabalho de recolhimento de corpos por parte do Instituto Médico Legal (IML).
Além da greve, os manifestantes ocuparam a Secretaria da Fazenda na capital Maceió a fim de pressionar para que o governador recuasse. Girlene Lázaro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Alagoas (Sinteal), afirma que os servidores irão resistir até que o governo reveja a sua posição. Para a professora, o chamado choque de gestão que alguns governadores decidiram colocar em prática somente achata ainda mais o serviço público,s em conseguir êxito no propósito de pagar as dívidas públicas. Leia a entrevista abaixo:
Quais são os motivos da greve?
Girlene Lázaro – O aumento que nós tivemos no ano passado, nós conquistamos o aumento de 20% à partir de outubro e mais 80% a partir de dezembro, justamente a folha a dezembro tinha ficado para ser negociada com o novo governador, que nos pagou o salário sem o aumento. Ele retirou uma série de direitos que aumentavam os salários do professor. Então os trabalhadores se rebelaram, ocuparam a Secretaria da Fazenda, ontem [quinta] tivemos uma audiência que durou seis horas e no final ele voltou atrás quanto ao salário dos outros trabalhadores, mas deixou os professores de fora. Até porque o governo não está cumprindo com os 20% da educação e diz não vamos ter recursos para pagar os salários. A Secretaria da Fazenda está devendo, desde 2003, R$ 21 milhões de recursos do Fundef e já foi denunciada no Tribunal de Contas. Resultado: fica a educação de fora. O governo assumiu e, com 12 dias de governo, decidiu congelar os salários de todos os trabalhadores do Estado, como policiais, funcionários da saúde e da educação.

A redução de salários dos servidores e de investimentos nas áreas públicas também é uma política que está sendo empregada em outros Estados, como em Minas Gerais e aqui no Rio Grande do Sul. Na sua avaliação, o chamado choque de gestão é positivo?
Girlene – Essa é uma das piores experiências que o serviço público vem tendo. Porque a característica dos governos do PSDB, dos governos neoliberais, é reduzir o Estado, atacar diretamente os trabalhadores e reduzir os investimentos nas áreas sociais. Então nós, da sociedade organizada, precisamos ficar em alerta, porque não podemos retroceder em todos os avanços que já conquistamos até agora. E fazer com que a sociedade organizada atue ainda mais, porque não podemos assistir a tudo isso e não fazer não.
Os governos mineiro, gaúcho e agora alagoano argumentam que o choque de gestão visa equilibrar as contas do Estado. Vocês sentem esse efeito em Alagoas?
Girlene – É, só que nesse choque de gestão em Alagoas, o governo está dizendo que não reconhece os trabalhadores da educação. Ou seja, está na Constituição e o governo não cumpre. Os recursos da educação não estão sendo aplicados como deveriam e, mesmo assim, com corte de dinheiro, eles dizem que não podem fazer nada. Ou seja, eles priorizam outras áreas que não os serviços públicos, entre eles a educação. Então que choque de gestão é esse que diz que ignora a lei de responsabilidade fiscal, não cobra os inadimplentes e, assim, acaba não investindo na educação e nem no trabalhador. Então existe muita incoerência nessa falácia de choque de gestão pra equilibrar as finanças do Estado. Porque na verdade, quer beneficiar os cofres do Estado com o sacrifício do trabalhador.No nosso Estado há várias alternativas. Tem a redução das secretarias, que hoje existem em quantidade excessiva, reduzir o número dos cargos comissionados, discutir os déficits da Estado com os funcionários e a sociedade, porque cada vez aumenta mais. Investir nas áreas sociais, valorizar os trabalhadores e desenvolver a economia do Estado, mostrando à população que o governo realmente tem interesse em promover o desenvolvimento do estado. Construir com os movimentos sociais, ampliando a gestão democrática em todos os aspectos. São várias as questões que precisam ser avaliadas.
Na visão dos trabalhadores, quais as alternativas dos governos estaduais que atualmente passam por uma grave crise financeira?
Girlene – No nosso Estado há várias alternativas. Tem a redução das secretarias, que hoje existem em quantidade excessiva, reduzir o número dos cargos comissionados, discutir os déficits da Estado com os funcionários e a sociedade, porque cada vez aumenta mais. Investir nas áreas sociais, valorizar os trabalhadores e desenvolver a economia do Estado, mostrando à população que o governo realmente tem interesse em promover o desenvolvimento do estado. Construir com os movimentos sociais, ampliando a gestão democrática em todos os aspectos. São várias as questões que precisam ser avaliadas. (Agência Chasque de Notícias)

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