Os usuários do Centro de Saúde Floresta reclamam da falta de estrutura e de material médico-hospitalar
Ludmila Wanbergna
Do Diário do Nordeste
A notícia de ser sede do primeiro Centro de Especialização Odontológica (CEO) da rede municipal de saúde não tem feito a população local se dar por satisfeita com o Centro de Saúde Floresta, no bairro Álvaro Weyne. Os usuários reclamam da falta de material médico-hospitalar, entre eles, fitas para exame de glicemia e esparadrapo para curativo. Denunciam também problemas de infra-estrutura, como aparelhos sanitários quebrados e portas danificadas por cupim.
Por ser hipertensa e diabética, a dona-de-casa Raimunda Viana, de 59 anos, diz estar preocupada com a saúde, porque há mais de um mês não consegue saber a taxa de açúcar no sangue. “Dizem que não tem mais a fita para exame de glicemia. E aí, como é que a gente fica? É só prejuízo”, grita, revoltada.
A queixa do motorista Francisco de Assis Alves de Araújo, de 53 anos, é em relação à falta de esparadrapo. “Estou com uma maldita inflamação nesse dedo. Mas a moça responsável por essa área disse que não fazia o curativo porque não tinha com o que fazer”, critica. A atendente de um dos ginecologistas do Centro mostra à reportagem o rastro de cupim nas paredes do consultório e também lamenta a quebra de um vaso sanitário em um outro.
A coordenadora médico-assistencial da unidade, Cleíse Pagels, reconhece que 80% das portas do Centro estão comprometidas por conta de uma descupinização feita há pouco tempo. “Para exterminar os cupins, a empresa contratada teve de fazer buracos em algumas portas e paredes para aplicar o veneno”, argumenta. Fato, segundo ela, já comunicado à Secretaria Executiva Regional (SER) I, responsável pela unidade de saúde.
Cleíse justifica a falta de material médico-hospitalar com atrasos na entrega por parte dos fornecedores. “Mas a Regional nos garantiu que esta semana mesmo devemos estar recebendo o material”, acrescenta. Ainda de acordo com a coordenadora, o material deveria ter sido entregue no último dia 10. Quanto aos demais problemas estruturais, segundo Cleíse, a Secretaria Regional I também já foi informada para agilizar futuras reformas.
A maior delas – conforme o chefe do Distrito de Saúde da SER I, Eymard Bezerra – será a transformação do Centro de Saúde Floresta em uma policlínica. Pelo projeto, a unidade terá espaço para odontologia, clínica médica e Programa Saúde da Família (PSF).
O primeiro passo, diz Bezerra, deve ser dado com a transformação do bloco A da unidade de saúde no primeiro CEO municipal. “Em maio, é provável que o entreguemos à população”, promete.
A compra de equipamentos, como eletrocardiógrafo e aparelho de raio-X, já foi sinalizada pelo secretário municipal de Saúde, Odorico Monteiro, de acordo com Bezerra. O representante da Regional I adianta ainda que a policlínica deve estar pronta no segundo semestre deste ano.
Burocracia
Em relação ao atraso na entrega do material médico-hospitalar, Eymard Bezerra atribui à burocracia do processo licitatório. “No decorrer desta e da próxima semana, a situação deve estar normalizada”, garante.
O problema nas portas e no sistema hidro-sanitário, o chefe do Distrito de Saúde da Secretaria Executiva Regional I diz que deve ser resolvido com um pedido de substituição das portas feito à diretoria financeira da Regional e uma parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará.
“O convênio com o Cefet vai nos permitir garantir a manutenção do sistema hidro-sanitário”. Bezerra sugere ainda que, na reincidência de cupins, a direção do Centro de Saúde Floresta entre em contato com a empresa responsável pela descupinização. “Ela (a empresa) nos deu garantia de um ano”, informou.
Mais informações:
Centro de Saúde Floresta
Rua Tenente José Barreira, 251, Álvaro Weyne
(85) 3452.6657
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