Escolas não estão letrando alunos, afirma secretria

De acordo com a secretária da Educação do Estado, Izolda Cela, as escolas da rede pública estão falhando em seu objetivo de alfabetizar os alunos. Ela afirma ainda que as escolas tenham de ter metas de aprendizagem e cumpri-las.

De acordo com a secretária da Educação do Estado, Izolda Cela, as escolas da rede pública estão falhando em seu objetivo de alfabetizar os alunos. Ela afirma ainda que as escolas tenham de ter metas de aprendizagem e cumpri-las.

Referência em educação no município de Sobral, a secretária da Educação do Estado (Seduc), Izolda Cela, tem pela frente um desafio maior: repetir os mesmos bons resultados em todo o Ceará. Para ela, as escolas da rede pública não estão conseguindo alfabetizar os alunos. Isso explicaria o mau desempenho obtido pelo Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O POVO revelou, na edição de ontem, que nenhum município cearense ficou com nota acima de 5 no indicador desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) que avalia a qualidade de ensino em todo o País.

Entre as ações da Seduc para reverter esse quadro, Izolda Cela destacou três: o Programa Alfabetizar na Idade Certa, o estabelecimento de metas de aprendizagem para cada escola e o acompanhamento sobre como cada uma estaria cumprindo esse resultado. Já para 2007, a secretária prevê a realização de duas grandes avaliações, uma para todos os alunos do ensino médio da rede pública e outra para os alunos da 2ª série do ensino fundamental. Os dados serão usados na construção de um mapa de aprendizagem para cada escola. "Ela (a escola) precisa saber que está sendo olhada, que tem um acompanhamento preciso dos seus resultados e que vai ter, no final de cada período, uma avaliação", disse.

OP – O que pode ser feito para mudar o quadro apresentado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)?

Izolda Cela – Essa situação é uma composição do resultado dos alunos da 4ª série (hoje 5ª ano) e do fluxo (entrada e saída no período certo) desses alunos, de forma a ressaltar dois aspectos importantes: o desempenho e, por outro lado, a garantia de que todos avancem, como precisam avançar. Não adianta você ter um bom desempenho de bem pouquinhos. Você precisa ter um desempenho bom da maioria. O que sinaliza para nós – e aqui, no Ceará, já temos inclusive uma clareza grande com relação a isso – é que as crianças estão analfabetas ao longo das séries iniciais. Se você tem médias muito baixas, por exemplo, na Prova Brasil, isso significa que as crianças não estão conseguindo ler um texto simples e dele retirar alguma informação. Muitas delas não conseguem nem mesmo ler, decodificar. Essa questão nos remete ao problema grave do analfabetismo escolar, que é um grande paradoxo da nossa escola pública. Normalmente, se pensa no analfabetismo de jovens e adultos, daqueles que não tiveram oportunidade (de estudar). Mas não, estamos falando do analfabetismo escolar. As escolas estão abertas, funcionando, atendendo a mais de 90% das crianças, mas sem acontecer o básico da missão da escola, que é letrar as crianças. Essa situação não é um privilégio do Ceará. A gente sabe que vários estados do Nordeste conseguem ter uma média pior que a nossa. Isso não é consolo, mas serve para a gente compreender que o problema é sistêmico, do Brasil, com relação às suas escolas públicas, especialmente, mas as escolas particulares também não estão essas coisas boas não. O Governo do Estado é responsável por isso. Não é o fato de mais de 90% dessa matrícula ser municipal que isenta o governo da sua responsabilidade. Isso é uma coisa clara para o governador, tanto que uma meta prioritária da Secretaria da Educação é a alfabetização na idade certa, para que o Ceará avance no sentido de garantir que as crianças se alfabetizem na idade certa. Estou falando de 6 e 7 anos. Começar a ler aos 6, consolidar aos 7 e seguir avançando na velocidade, na fluência e na compreensão ao longo das séries iniciais. É essa a tarefa que a escola tem de cumprir. Esse programa foi lançado ainda no primeiro semestre e conta hoje com a adesão de 100% dos municípios do Ceará.

OP – Nos governos anteriores, a grande preocupação era a de colocar as crianças na escola. Tínhamos, então, placas com os dizeres 97% das crianças do Ceará estão na escola. Que ações podem ser feitas para elevar a qualidade de ensino, o passo seguinte desse processo?

Izolda – Não adianta nada só ter as escolas cheias e não acontecer nada de conseqüente e de produtivo. Não adianta. A escola, no final das contas, é para fazer uma diferença na vida das pessoas. A gente não está dando conta desse recado não. O que eu acho também é que não deve se desprezar o grande esforço feito em relação a essa história do acesso, isso não é desprezível. A gente tinha uma situação de que as crianças, os jovens, é claro, os mais pobres, não estavam na escola, nem conseguiam chegar lá. Quando você observa matrículas do estado e de municípios que trabalharam mais seriamente no momento do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), houve realmente aquele interesse de colocar os alunos na escola. Alguns, até, acham que é um interesse mercantilista, mas os que trabalharam sério em relação a isso triplicaram a matrícula. Isso joga para o serviço público da educação tarefas e compromissos que realmente não deram conta, não se conseguiu alinhar quantidade e qualidade. Estamos pagando um preço altíssimo por isso, mas a gente não pode desconsiderar que houve um avanço importante.

OP – O POVO publicou a relação das 50 melhores escolas do Ceará. À exceção das escolas militares e das escolas mantidas pelo Sesi, havia escolas da rede pública que, por causa da gestão, conseguiram bons resultados. O que pode ser feito para que essa atitude possa ser reproduzida de modo sistemático, e não excepcionalmente, com uma escola ou outra?

Izolda – A equação é assim: é ter metas claras. Cada escola precisa saber aonde ela quer chegar, isso ela precisa ter. Isso tem de ficar claro e muito bem definido, o que não é, normalmente não é. As escolas, às vezes, têm projetos interessantes, mas desfocadas da questão da aprendizagem. Elas chegam a ganhar prêmios de gestão, mas, às vezes, quando você vê o resultado de aprendizagem dos alunos é baixíssimo. Aí eu digo: Como é que essa escola ganha um prêmio de gestão e os meninos não estão aprendendo? Vamos reconhecer as coisas legais e bonitas. Ótimo. Mas não vamos desfocar do resultado, que é básico. Depois de ter as metas claras, é preciso ter apoio. Políticas que garantam à escola ter condição de funcionar regularmente, que a escola não fique se apertando com aquelas carências, com problemas. Às vezes, a escola tem um problema de instalação elétrica e fica três meses esperando que se conserte. Estou falando da rede estadual ainda, não estou querendo me livrar disso. Precisa haver um tipo de apoio para que a escola, dentro da realidade, tenha apoio das políticas para poder funcionar bem. Depois disso, cobrança. Essa cobrança tem de vir acompanhada de incentivos para quem alcança as metas. Os profissionais precisam ser reconhecidos de maneira especial e merecem incentivos. E defendo que a gestão escolar responda também pelo não cumprimento das metas.

OP – Há uma data para esse trabalho começar?

Izolda – Isso já está começando. Tivemos seleção para coordenadoras de Credes (Centro Regionais de Desenvolvimento da Educação) ao longo do primeiro semestre. Foi um tempo que nos gerou, mas apostamos nisso, que seria importante haver essa seleção bem criteriosa. Considero que estamos colhendo bons frutos. As equipes estão se estruturando e as equipes de acompanhamento das escolas estão em campo, em uma ação sistemática, inclusive em Fortaleza, que é um grande desafio. Do ponto de vista da Seduc, isso é importante para que possamos fazer proposições mais conseqüentes e que venham ao encontro das necessidades da escola e daquilo que vai gerar uma melhoria nos resultados. O ponto central é esse. As outras coisas a gente precisa estar sempre correndo atrás: equipamento, melhoria de prédios, etc. Essas coisas são uma constante, mas não é isso que faz com que os resultados aconteçam. É muito mais uma questão de a gente estabelecer um acompanhamento sistemático de cada escola. Ela precisa saber que está sendo olhada, que tem um acompanhamento preciso dos seus resultados e que vai ter, no final de cada período, uma avaliação. Duas avaliações importantes vão acontecer no final do ano. Uma avaliação censitária do ensino médio. Todos os alunos vão ser avaliados, de 1º, 2º e 3º ano. Essa avaliação vai possibilitar um mapa das aprendizagens de cada escola: turma por turma, aluno por aluno, quem são os professores dessa turma e, baseado nisso, é que a escola vai trabalhar, focado nisso daí. Ela pode fazer mil e uma coisas legais, mas a nossa conversa com a escola será com relação a isso, a elevação da aprendizagem. Vai haver uma avaliação também para os alunos de segundo ano, os pequenininhos de 7 anos, de todos os municípios cearenses, para a gente ter uma medida de como está e qual é nosso compromisso para o próximo ano em termos de Estado. Vamos elevar em quantos por cento esse resultado, que compromissos vamos assumir, todos os gestores?

*Com informações de Ricardo Moura / Jornal O POVO / Editoria Fortaleza

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